QUAL A COR DO SEU ABRAÇO?

Postado por Kelly Arruda em

“Meu sangue, do pragal das Altas Beiras,
boiou no Mar vermelhas Caravelas:
À Nau Catarineta e à Barca Bela
late o Potro castanho de asas Negras.”

Parte do texto ‘A viagem’, de Ariano Suassuna, em
“Dez Sonetos com Mote Alheio”.


                                                                              Iluminogravura ‘A viagem’, Ariano Suassuna (1980)

No trecho acima de um dos ícones da literatura brasileira, nota-se a força das palavras e como podemos ver e sentir as cores no texto com tamanha intensidade. Estas características nas obras de Ariano Suassuna são muito ricas e fazem do movimento Armorial (marco do artista) uma arte única.

Embora tenha nascido na Paraíba, Ariano fez sua vida e história na terra dos altos coqueiros deixando um legado gigantesco e tantos seguidores que se inspiram em seus contos e cores.

E essa inspiração chegou a Yran Palmeira e Emeton Kroll, criadores dos Pedidores de Abraços.


                                                                                         Emeton Kroll (esquerda) e Yran Palmeira (direita)

Yran e Emeton começaram nas artes plásticas guiados pelo destino. A partir de um amigo em comum apaixonado por pintura, ambos também se encantaram pelo mesmo universo de cores infinitas. Iniciaram pintando algumas telas e, em seguida, partiram para as peças de cerâmica, matéria-prima dos Pedidores de Abraços.

A primeira obra foi um boneco que passou quase dois meses sem ter um título. Não tinha vida ou nome, mas já estava de braços abertos esperando para começar uma nova história.

Foi em uma das lembranças da infância de Yran que surgiu o real significado para as esculturas tão convidativas, simpáticas e que têm tanto a dizer.

“Eu lembrei que na década de 80 e, como bom nordestino, a gente tinha uma demanda muito grande de pessoas que pediam auxílio nas portas das casas. Eu fico muito saudoso em lembrar dessa época porque meu pai ainda estava vivo. Meu pai sempre quando ia atender a porta, atender estas pessoas, ele me levava junto. Eu via a emoção das pessoas quando meu pai dava alguma ajuda. Muitas vezes eram famílias que batiam na porta pedindo auxílio. Além de eles estarem com os olhos cheios de lágrimas, eles abriam os braços para abraçar o meu pai e a mim para agradecer aquele gesto”, conta Yran.

O momento simbólico que fez parte da vida de Yran foi a escolha ideal para representar suas obras. A homenagem às pessoas que pediam auxílio nas casas foi assinada embaixo por Emeton.

Enquanto Emeton esculpe as peças, Yran pinta. De cinco a seis peças feitas por dia, 25 dias são esperados para que uma peça seque, além do dia que é necessário para fazer a queima da peça, totalmente feita de cerâmica (mistura de argila e outras matérias-primas inorgânicas, queimadas em temperaturas muito elevadas). Depois de queimadas, elas precisam ser lixadas e, então, pintadas. E de cor Yran entende muito bem.

“A gente se deparou com a obra de Ariano Suassuna e relacionamos as cores e os traços dos Pedidores de Abraços com as obras dele. A gente bete muito da fonte de Ariano, que é um mestre. O mundo imaginário e lúdico dele nos impactou de uma forma tão linda, tão transformadora que nos tornamos seguidores dos traços armoriais. A gente tem a essência de Ariano impregnada nos Pedidores de Abraços”, afirma.

Cada cor tem um sentimento. É o que diz a psicologia das cores. Nosso cérebro tem o poder de identificar e transformar as cores em sensações. Qual a sensação de um abraço e qual cor esse abraço pode ter? Qual é a sua cor no mundo e o que elas querem dizer? As respostas ficam por conta de vocês, leitores.

No mundo de Emeton e Yran há uma filosofia guiada pelo poder que um abraço pode ter, desde a cena que marcou a infância de Yran à representatividade das cores nas obras de Ariano Suassuna. Os Pedidores de Abraços foram criados não só para serem objetos de decoração. Foram criados para serem mensageiros de paz, fraternidade, união, solidariedade e humanidade, bem como mostrar que a beleza das relações humanas está estampada na simplicidade.

“O abraço para mim representa inúmeras coisas. Representa cura, proteção, afeto, acolhimento e sensibilidade. O abraço reflete aquilo que está dentro do nosso corpo, a essência da nossa alma. O abraço engloba carinho, amor, fraternidade e respeito ao próximo. Eu acho que o abraço deveria ser indicado por médicos! O abraço tem um poder de cura fantástico e a gente tá tendo o privilégio de ver milhares de pessoas falando disso através da nossa arte”, finaliza Yran.

Sintam-se abraçados da forma e cor que o seu imaginário desejar.

As peças de Emeton e Yran estão disponíveis no site ou na loja física: Rua Bispo
Coutinho, 814, Alto da Sé, Olinda/PE.

www.imaginariobrasileiro.com.br


1 Comentário

  • O meu seria azul..
    Em todos os seus tons ..qualquer rom de azul…lindos

    Juliana Fernandes em


Deixe um comentário

Os comentários estão sujeitos a aprovação.