MARCOS DE NUCA: REPRESENTANTE DE UM LEGADO

Postado por Kelly Arruda em

“Em Tracunhaém ou barro vira santo ou vira panela.” Mestre Nuca.
A cidade de Tracunhaém é um verdadeiro reduto de artesãos, que ganham a vida com a arte originária do barro e que representam o estado e o Brasil no mundo com o resultado de um trabalho significativo e genuíno, nascido e criado na Zona da Mata de Pernambuco.
Entre os inúmeros artistas que surgiram e se destacaram na cidade do barro, como Zezinho de Tracunhaém e Mestre Nuca, a obra deste último permanece viva através da continuidade que seus filhos decidiram dar as suas peças emblemáticas, como os famosos leões de cabelos encaracolados, que estão espalhados em várias partes do Recife. Certamente você já se deparou com um desses por aí.

(Foto: Fundação Joaquim Nabuco)
Para entender o legado deixado por Mestre Nuca, é importante conhecer um pouco a história deste artista que recebeu, no ano de 2005, ao lado de outros grandes mestres, como o ceramista Salustiano e a cirandeira Lia de Itamaracá, o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco.

Manuel Borges da Silva nasceu em Nazaré da Mata, pertinho de Tracunhaém e foi lá que ele virou o Mestre Nuca. Ao lado da esposa, Maria, fazia bois, bonecas, peixes, galinhas, anjos, além dos leões de jubas cacheadas, peça que ganhou mais destaque e se tornou ícone do artesanato pernambucano, referência ao Leão do Norte, símbolo da antiga força política, econômica e cultural do estado. E foi ao lado de Maria que Mestre Nuca criou todos os detalhes desses leões cheios de charme.

(Foto: Rafael Bandeira / História e Cenários Nordestinos
A cidade que respira arte feita do barro foi o lugar que Nuca teve seis filhos, sendo três mulheres e três homens. Dos três homens, dois seguiram o caminho da cerâmica: Guilherme e Marcos.
Marcos Borges da Silva, conhecido como Marcos de Nuca começou a mexer com o barro aos 12 anos de idade. Sempre que seu pai estava com a mão na massa, o primogênito costumava observa-lo para tentar fazer o mesmo. Criava praticamente as mesmas peças, como pássaros, anjos, tartarugas, galinhas, buscando seguir as mesmas técnicas do pai, adquiridas através da observação.
(Fotos: Arquivo pessoal de Marcos de Nuca)
Mestre Nuca faleceu em 2014 e, há 43 anos, Marcos continua produzindo as peças que seu pai tanto amava fazer. Para tentar ter uma vida melhor e que não dependesse apenas do trabalho como artesão, Marcos dedicou 30 anos de sua vida ao serviço na polícia militar do estado, hoje aposentado. “Nós, da família, continuamos com o trabalho que o meu pai deixou. A gente sempre gostou desse trabalho. Não posso dizer que o trabalho prestado na policia militar foi algo ruim, mas eu sempre gostei mais do artesanato, lugar que eu mais me dediquei. Foi o lugar que comecei, passei mais tempo da minha vida”, conta Marcos.

(Fotos: Arquivo Pessoal)
A quantidade de pedidos que chega a casa-ateliê de Marcos é muito grande. É um trabalho manual, cansativo e o artesão tem a ajuda de alguns filhos, esposa, além do irmão Guilherme, como citamos acima. São pedidos de turistas de várias partes do Brasil, além de galerias de arte, centros e grandes feiras de artesanato na capital pernambucana, principal espaço para divulgação de seus trabalhos. Dar sequencia a obra do pai fez o ceramista conquistar, também, na década de 80, espaços em exposições no Peru e na França.
Marcos diz que pretende parar em breve, pois sua saúde e o cansaço não têm ajudado. Os seus filhos e o seu irmão darão conta do recado. Marcos e todos da família já fizeram com que a arte deixada pelo Mestre Nuca ganhasse o mundo e o coração de todos os pernambucanos apaixonados pelo artesanato local.
E aqui, na Artes do Imaginário Brasileiro, as peças de Marcos de Nuca estão disponíveis. Confira no site ou na loja física: Rua Bispo Coutinho, 814 – Alto da Sé, Olinda.

0 Comentários

Deixe um comentário

Os comentários estão sujeitos a aprovação.