VASOS CASARIOS DE ALINE E EMMANUEL: RESGATE DE MEMÓRIAS

Olinda respira cultura. Recife também. Quem nunca passeou pelas ruas do sítio histórico da Marim dos Caetés e namorou aquelas casinhas coloridas, tão peculiares, cheias de vida e representantes de um Brasil tão multicultural? E os casarões antigos da zona norte do Recife, que teimam em resistir a tantas construções modernas de prédios altos, relembram um Recife que sempre foi rico em cultura e nos transportam para memórias do passado colonial da capital pernambucana?

Por essas cidades-irmãs já passaram e passam grandes personalidades de diversas vertentes da arte. Da literatura, da música, do cinema ou das artes plásticas. O poder e o encanto de cada esquina dessas cidades refletem, de alguma forma, no trabalho dos artistas que até mesmo não sendo filhos da terra, adotaram Olinda e Recife como suas casas.

Aline Feitosa é carioca. Emmanuel Cansanção nasceu em Catende. Aline chegou a Pernambuco aos 14 anos de idade, local de sua família materna. Já Emmanuel saiu da Zona da Mata Sul do estado logo após o nascimento e foi morar em Rio Doce, bairro de Olinda. Aline, que é jornalista de formação, sempre trabalhou na área cultural. Depois de conhecer Emmanuel, que trabalha como artista plástico há mais de 20 anos, percebeu que também levava jeito para a coisa.

As primeiras referências de Emmanuel vieram de família. O avô era carpinteiro e a mãe costumava pintar panos de prato. Lápis de cera e papéis espalhados pelo chão enriqueceram o repertório do artesão. Assim, durante a adolescência, costumava pintar muros e camisetas de blocos de carnaval, que lhe rendiam uma grana.

O contato de Emmanuel com o barro despertou algumas certezas. A escolha da
matéria prima das obras se destaca pela diversidade de possibilidades. “O barro teve esse poder de fazer com que eu me expressasse como eu queria, porque ele tem várias dimensões. O barro é vivo, é a terra, eu consigo pegar ele com as mãos e fazer a peça. E tem o tamanho, uma dimensão maior, de ver e sentir a peça. É melhor para eu me expressar visualmente”.

Na parceria com Aline, há quatro anos, os dois engataram na jornada de produção de vasos de barro para cultivo de plantas inspirados nos casarios das cidades, que são a essência do processo criativo dos artistas. “Junto com Aline a gente teve essa ideia de misturar as coisas e fazer vasos com as plantas, os casarões de Olinda e Recife. A gente ainda continua trabalhando com a caricatura. A gente tem os Beatles, a gente faz o Alceu Valença, o Chico Science, o cinema São Luiz e todas essas coisas para continuar com o trabalho de mostrar a nossa cultura, o nosso povo, as pessoas que estão ao nosso redor, os nossos costumes, com tudo colorido, diverso, que é como a gente vê a cidade”.

Símbolos do carnaval pernambucano também entraram na lista de figuras
representadas e moldadas pelas mãos dos artistas. O Homem da Meia-Noite e a La Ursa enfeitam os vasos criados para guardar muito amor. “A gente foi tendo umas ideias de unir as plantas, que sempre foi uma paixão minha, aliado ao barro, que faz parte do imaginário popular e da tradição da arte em Pernambuco. Cresci e passei minha adolescência inteira em Olinda, então Olinda tem uma referência muito forte para mim”, conta Aline.

Preservar é carinho, é cuidado. Manter viva a cultura do nosso povo faz parte do legado das obras feitas por Aline e Emmanuel. A memória afetiva que essas duas cidades representam para os artistas sustentam e reverberam em cada detalhe das peças. Para Aline, eternizar a história é fundamental. “Cada peça a gente acredita que ela traz tanto a nossa história, porque a gente utiliza as nossas mãos e a nossa vontade de criação, como a história das pessoas que nos encomendam as peças. A gente acredita que a memória é fundamental para que a gente tenha pessoas felizes, cidades felizes, lugares felizes no mundo”.

Os vasos casarios de Aline e Emmanuel você encontra aqui: Vasos Casarios de Olinda

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