ARTE POPULAR: O QUE É SER MESTRE E A DIFERENÇA ENTRE ARTE E ARTESANATO

A cultura é um dos pontos mais fortes do nosso Pernambuco, principalmente pela diversidade de manifestações presentes no estado. Dentro dessas manifestações variadas, a cultura popular tem ainda mais destaque - especialmente quando pensamos nas expressões culturais da arte popular.

Para quem não conhece e se pergunta o que quer dizer “arte popular”, podemos definir como a expressão artística que vem do povo e é feita para o povo. Na essência, a arte popular pode ser considerada como um estilo mais caseiro e artesanal de fazer arte. É um método criativo que nunca teve um preparo técnico - através de escolas especializadas, por exemplo. E esse estilo sempre alcança o carisma e o apoio de muitas pessoas porque é a representação de uma população e de suas manifestações culturais. A arte no barro é um exemplo disso - os artesãos já nascem com o dom na alma.

O grande reconhecimento de um artista popular vem da maneira como este exerce a profissão. Isso quer dizer que a forma genuína - sem a base de uma escola técnica - de produção desse artista nasceu de suas referências: família,
regionalidade, cultura, costumes. Nesse sentido, a experiência de vida é a verdadeira escola de cada artista popular.

E quando essa maneira de fazer arte se destaca em níveis elevados, é hora de uma nova etapa no reconhecimento: o título de mestre artesão.

ARTE E ARTESANATO

A arte e o artesanato conversam entre si em vários aspectos, porém não são a mesma coisa. A arte se expressa através de diversos formatos, como cinema, música, teatro, pintura, dança, escultura, artes plásticas e, também, artesanato.

Mesmo inserido dentro desse universo, o artesanato possui algumas diferenças
para se destacar das outras formas de arte, sobretudo na maneira de criação das obras.

Artesão é a nomenclatura para quem trabalha com artesanato. Já nas artes
plásticas, são chamados de artistas. No processo de criação de uma peça, o artista procura passar para as obras seus sentimentos e emoções, seja medo, tristeza, alegria ou amor. Já o artesão explora os dons mais técnicos - fundamentais para a produção da peça - com a finalidade de conseguir um resultado satisfatório para fazer boas vendas. Uma peça bem elaborada certamente não será descartada. Contudo, o artesão também não deixa de transmitir seus sentimentos e emoções durante o processo.

O produto de um artista é único e jamais será feito igual a outro, podendo ser uma escultura ou uma tela e sem demanda de uso para ser criada. O produto de um artesão é, na maioria das vezes, peças ricas em detalhes e técnicas manuais e produzidas em larga escala para serem comercializados, como bijuterias, bordados, peças em cerâmicas, etc.

Ambas as vertentes buscam referências nas questões territoriais e culturais, embora o artesanato se sobressaia, pois está intrinsecamente ligado às manifestações culturais de um povo. Estes, por sua vez, expõem seus costumes e modo de viver através das peças.

O QUE É SER MESTRE?

Ser reconhecido como mestre por especialistas é a comprovação que o artista é capaz de mostrar sofisticação no trabalho, com técnicas e conhecimento próprio, assim como também é capaz de transmitir da melhor forma as suas expressões e intenções artísticas. Os mestres da arte popular são responsáveis por manter uma tradição e criar um legado, sendo a figura fundamental e central da preservação da cultura, da arte e do patrimônio.

Grandes mestres estão presentes aqui na Imaginários Brasileiro. Alguns deles estão inseridos em um movimento grandioso em Pernambuco, que é a arte no barro. Cidades referências na produção de cerâmicas, como Tracunhaém (Mestre Nuca) e Belo Jardim (Mestra Neguinha e Mestra Cida Lima) entregaram para o Brasil e para o mundo personalidades indispensáveis dentro do movimento da arte popular. Os símbolos que eles carregam nos oferecem a preservação da memória, substância necessária para nos reconhecermos enquanto sociedade.

A madeira também é uma matéria prima importante para outros mestres que
abraçamos. A influência africana nas criações do mestre Zé Alves, as peças singulares do mestre Fida e as obras de Marcos de Sertânia, que materializam
figuras do sertão fortalecem seus legados e o sentido de pertencimento. Quem
também não fica de fora é o mestre Miro do Bonecos, que traz a magia dos
mamulengos para a arte popular.

Conheça esses e outros artistas aqui. Você também pode visitar a nossa loja física: Rua Bispo Coutinho, 814, Alto da Sé - Olinda.

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